Acostumada a percorrer territórios de forma planejada e com percursos pré-estabelecidos, comecei a primeira deriva. Êita coisa estranha percorrer e se deixar levar! Cá entre nós, fiquei um pouco apreensiva. Sair por aí, até onde de que onde para onde? Sem mapa? Sem direção? Mas, lá fui eu...
Me deixei levar, a cidade me levou, os sentidos me levaram. Foi o olhar, o som, o cheiro e a paisagem.
SAUDADE - Começamos na DEGETEC, no antigo colégio Nóbrega, no primário, perto da quadra coberta. Lá onde tantas vezes me apresentei, no pátio do primário onde aconteceu o show do Flor da Pele, na quadra descoberta onde dançamos quadrilha.
PERDA - Fomos para rua, entramos no Beco do Estudante. Adriana e Milene começaram a tirar fotos, Milene observando as mensagens da cidade. Adriana o lixo. Eu fiquei a olhar o beco sem movimento... que estranho. Passei tantas vezes por lá, eram tantos os estudantes e trabalhadores e hoje, uma ou outra pessoa que passava e observa o grupo de mulheres olhando e fotografando o chão, o muro, a luz e as pessoas.
VIDA - Chegamos à Conde da Boa Vista, movimento, cheiro de comida, conversas, ônibus, carro e GENTE. Ufa, apesar da nova cara, a avenida continua a mesma.
INDEPENDÊNCIA - Passamos pelo Módulo, mais uma lembrança. Vem na cabeça a palavra independência. Lembrei da primeira vez que entrei no prédio para conhecer o apartamento do meu primo- irmão Carlos. Primeiro dos primos a sair de casa e morar só. Volto a escutar o som dos ônibus, o barulho do corredor, o vento e a lembrança do fogão de duas bocas.
SURPRESA – Dobramos na Rua da Soledade, que surpresa os estudantes estavam ali, o movimento estava ali, a vida estava ali. O vai e vêm de pessoas, as palavras partidas das conversas, cadernos na mão. O beco do estudante mudou de lugar!
DOR – Ao passarmos pela esquina da igreja da Soledade, a fome aperta e a cabeça dói. Fica difícil o raciocínio. Dandara, mais calma, torna-se parceira da fome. Queremos chegar logo na Rua do Lazer.
SUPRESA 2 – Ao chegamos à Rua Afonso Pena, próximo a rua do lazer, já sentindo o cheiro da comida. Algo me chama a atenção. Paro, “descubro” uma vila. É uma vila! Milene achei uma vila, fotografa para mim!
ALEGRIA – Sentamos em uma mesa, eu, Dandara e Milene pedimos comida. Adriana nos acompanha e Michele senta no meio-fio para escutar uma senhora. Entre uma garfada e outra penso na nossa deriva. Quanta coisa passou pela cabeça, quantas lembranças e descobertas. Consegui ficar a deriva. Que massa!!!
Despeço-me das meninas tenho que chegar em casa. Os meninos já devem estar dormindo, Alexandre no mestrado e Lena está esperando para voltar para casa.
Amanhã será um novo dia de deriva. Valeu Milene, valeu equipe!
Neguinha, adorei o mapa de sentidos acessados e experimentados na sua primeira deriva. E adorei perceber que realmente compartilhamos essa trilha na experiência urbana. ;)
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