quando cheguei em casa no final do terceiro dia de oficina, com uma deriva - até que enfim - realizada e muitas descobertas para todas nós, me senti muito estimulada! queria postar as fotos e os textos naquele momento, mas a bateria da câmera fotográfica tinha acabado e demorou-se até a manhã do dia seguinte, no caso hoje, para recarregar. mas hoje é daqui a pouco nesse mapa. agora é já antes de ontem e saímos do DGETEC acompanhadas de Eva e Celso, companhias contagiantes para o percurso. a idéia era seguir a Abreu e Lima até a esquina e quebrar à direita...
mas na primeira quebrada, à esquerda, um grupo de homens conversava em torno de um orelhão, de onde observavam nossa ação na cidade... cheguei perto para fotografar o nome da rua Oliveira Lima e conheci o Professor Geraldo, do curso preparatório ali, na saída de uma passagem. e o percurso foi alterado... que lugar! logo Neguinha me diz que ali é o Beco do Estudante, ligação importante entre a Conde da Boa Vista e toda uma gama de escolas, colégios, faculdades da região... primeira grande descoberta, seguida da de que os Oitis estão por ali e por todo o bairro Soledad, e logo a lembrança de que em Araraquara, cidade que morei por 10 anos, foram um dos grandes motivos para que a Rua Voluntários da Pátria fosse considerada patrimônio histórico municipal, formando um túnel verde.
o Beco do Estudante tem de um lado um muro grande, que me transportou com os seus textos imediatamente para outros lugares da cidade, que estão longe do centro, muitas invisibilizados por processos de marginalização espacial, cultural e política.
mas também à outros lugares da memória, com a pixação que usa um símbolo conhecido associado à palavra crack... lembro de todas as pixações e grafitagens que já vi no centro de Recife alarmando o perigo do uso de drogas, das que já vi em Belo Horizonte, das imagens das pessoas fazendo uso nas ruas, de todas situações lastimáveis, melhor, tristes... e detectei: o beco do Estudante conforma no muro, um espaço de diálogos públicos.
e de repente estávamos na Conde da Boa Vista. na esquina que nos liga, encontramos uma aglomeração de pessoas em volta de carrinhos de comida, refrigerantes, cervejinhas e os fiteiros.
uma bicicleta chama minha atenção.
e fotografo, a pedido de Dandara, que anota na foto, os lances próprios do paladar de cá.
e no meio da rua os pontos de ônibus cheios de pessoas que olham para nosso caminhar que guarda lampejos de experiências vividas.
quando dou de cara com a Bíblia no meio da rua, com uma abreviação que realmente passa a mensagem, a memória coletiva cultural compartilhada cumpre o que a mensagem não executa.
e mais um bairro se faz presente na parede, vai Pina!
e outra esquina, pra onde?
pra ela mesma, Soledad!
com sua flora exuberante!
visadas impressionantes
e trabalho
e texto
e tag
e segundo A Drica, concorrência pro Spa!
e outra esquina
e um serviço oferecido de ponta cabeça
e doutro lado
outro tempo
tentativa
insistência
desistência
ele cheira um
ela tira a roupa
outra tag
as meninas querem chegar na rua do Lazer, estão com fome...
eu me atraso, Adri e Michelle também
escravos de Jó,
jogavam caxangá,
tira, põe,
deeeeeeeeixa fica!
e A Dri descobre uma mina
lembro de minha mãe
e de minha bicicleta
e Neguinha descobre um beco!
beco aqui:
eu descubro outra bicicleta
um remix
relembro a água e o tempo
o tempo e as mensagens
o tempo e o banco
os tempos em relação, Michelle em ação
e uma bicicleta
que se prepara
pra ir embora
ainda dá tempo de uma boquinha na Rua do Lazer
pé na rua
olho atento
e nine star hotel foi hoje na filmes de quintal
p.s: não encontrei nenhum cachorro, nenhum morador de rua, nenhum stêncil...
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